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França e Reino Unido aprovam força de paz para Ucrânia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em uma vitória para Volodimir Zelenski, os governos da França e do Reino Unido assinaram um acordo com a Ucrânia para enviar uma força de paz ao país conflagrado caso haja um cessar-fogo com a Rússia.

A proposta, contudo, será letra morta sem o apoio dos Estados Unidos, que segundo o plano serão os fiadores militares do arranjo e os monitores dos termos de uma trégua entre russos e ucranianos.

Além disso, ela terá de ser engolida pelo governo de Vladimir Putin, que rechaça liminarmente a possibilidade de ver soldados da Otan no vizinho. A invasão de quase quatro anos atrás foi disparada, entre outros motivos, pelo risco percebido em Moscou de que Kiev ia ingressar na aliança militar ocidental.

O anúncio foi feito em Paris, onde ocorreu nesta terça-feira (6) uma reunião da chamada Coalizão dos Dispostos, o grupo de países que apoia o esforço de guerra de Kiev. Os EUA estavam presentes, e as discussões seguirão nesta quarta (7).

Segundo o negociador-chefe americano, Steve Witkoff, presente ao lado do genro e “faz-tudo” do presidente Donald Trump Jared Kushner, “os protocolos de segurança” para o pós-guerra estão “quase todos finalizados”. Ele não confirmou, mas também não negou, os termos propagandeados pelos europeus.

Witkoff preferiu falar que “estamos dispostos a fazer tudo pela paz” e enfatizar o aspecto do “acordo de prosperidade” após o conflito, uma referência a negócios potenciais para os EUA. Kushner, que opera interesses do tipo para Trump, contudo disse que a reunião havia sido “um marco” na questão das garantias de segurança.

Segundo disseram líderes como o francês Emmanuel Macron e a italiana Giorgia Meloni, a Ucrânia também receberá um seguro contra novas invasões russas baseado no artigo 5 do estatuto de Otan, que prevê a defesa mútua em caso de agressão.

Até aqui, os EUA vinham se recusando a participar diretamente de qualquer esquema em solo ucraniano, deixando o trabalho para os europeus, mas ainda assim Macron e Zelenski, que também estava em Paris, disseram que haveria monitoramento americano do processo.

Em 2024, quando sugeriram pela primeira vez a ideia de uma força de paz, Macron e o premiê britânico, Keir Starmer, receberam ameaças de guerra nuclear por parte de Putin. A carta atômica é sacada periodicamente pelo Kremlin para lembrar os rivais acerca do risco de escalada.

“Esta é uma declaração da intenção de enviar forças para a Ucrânia no caso de um acordo de paz. A assinatura pavimenta o caminho para que forças francesas e do Reino Unido operem em solo ucraniano, protejam o céus e mares”, disse Starmer.

Meloni, por sua vez e de forma mais realista, preferiu destacar a questão do comprometimento de defesa em caso de ataque, dizendo que seu país não participará de nenhuma força em solo.

O avanço da discussão, ainda a depender do real papel americano na proposta, de todo modo aumenta a pressão sobre Putin. Tendo colhido diversos avanços em campo no fim do ano, o russo parece pouco ou nada disposto a aceitar a ideia.

Se os EUA a encamparem com vigor, contudo, isso sinaliza que era correta a percepção do Kremlin de que Trump iria endurecer sua posição no debate ucraniano após a rápida captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, um aliado de Putin, no sábado (3).

Como a Folha de S.Paulo mostrou, os russos temiam que Trump iria usar sua posição momentânea de força para fazer passar itens que desagradam ao chefe do Kremlin na negociação.

Até aqui, o americano havia sido francamente favorável aos termos do russo, inclusive no debate sobre a mutilação da Ucrânia, país que tem 20% de seu território ocupado por Moscou.

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Folhapress | 15:24 – 06/01/2026

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