O marido de Lucinete Freitas, brasileira assassinada em Portugal no início de dezembro, afirmou que a mulher pretendia prestar depoimento em um processo de disputa pela guarda do filho do casal para quem trabalhava. Segundo ele, Lucinete iria testemunhar a favor do patrão e contra a patroa, hoje apontada como principal suspeita do crime.
Em entrevista ao g1, José Teodoro Júnior contou que o relacionamento dos empregadores era marcado por conflitos frequentes, presenciados pela babysitter. De acordo com o relato, Lucinete costumava se posicionar ao lado do patrão durante as discussões, por considerá-lo uma pessoa íntegra e correta, o que, na avaliação do marido, pode ter motivado o assassinato.
“Ela sempre ficava do lado dele nas brigas. Dizia que era um homem trabalhador, correto. Já a patroa, segundo o que ela relatava, tinha um comportamento completamente diferente, era instável. A motivação do crime foi essa interferência nos conflitos do casal, porque minha esposa gostava de se posicionar pelo que considerava justo”, afirmou.
José Teodoro descreveu o homicídio como um crime extremamente violento. Segundo ele, a suspeita teria atraído Lucinete para um local isolado, longe da residência, onde o ataque ocorreu. “Foi algo bárbaro, brutal. Ela levou minha esposa para um lugar afastado e agiu de forma fria e cruel”, disse.
O caso veio a público no início de dezembro, quando Lucinete foi dada como desaparecida. Na ocasião, o marido relatou que ela vivia sozinha em Portugal desde abril de 2025 e trabalhava como babysitter na casa de um casal na Amadora, região metropolitana de Lisboa. Ele e o filho do casal, de 14 anos, que moram em Fortaleza, planejavam se mudar para Portugal no começo de 2026.
Dias depois do desaparecimento, a Polícia Judiciária confirmou que Lucinete havia sido encontrada morta. Em comunicado, as autoridades informaram que a principal suspeita, uma mulher de 43 anos, também brasileira, foi detida.
De acordo com o Ministério Público português, a acusada teria convencido a vítima a entrar no carro sob o pretexto de levá-la para casa, mas seguiu até um local isolado, onde a agrediu violentamente na cabeça com um bloco de cimento, causando ferimentos fatais. Após a morte, o corpo foi coberto com entulho para ocultar o crime.
A suspeita responde por homicídio qualificado, profanação de cadáver, posse de arma proibida e falsidade informática. Segundo as investigações, ela ainda teria usado o celular da vítima para enviar mensagens e atrasar o registro do desaparecimento.
Lucinete Freitas vivia em Portugal havia cerca de sete meses e trabalhava como babysitter há quatro, emprego que conseguiu por meio de um grupo em redes sociais. Ela planejava reunir a família no país nos próximos meses.













